I read Glamour and The Guardian.
Na boa que eu não entendo as pessoas. Sério.
Dois dias depois da Marcha das Vadias (que fique registrado que achei aquilo uma overdose de amor-próprio, logo, foi algo lindo) tudo volta ao normal. Mulher tem que ser linda, dócil e cheirosa. Mulher não pode ser engenheira, não pode ser geóloga, não pode fazer nada disso se não quebra uma unha.
Na verdade, a mulher pode sim ser antenada e lidar com coisas ditas “de homem”. Só que aí ela tem que ser homem igual aos homens. Já disse Kate Nash ”I read Glamour and The Guardian”.
Me diga, quem foi que proibiu a mulher de ser feminina, se cuidar, e de ser antenada ao mesmo tempo? Pois vou lhe dizer, mulher tem força pra aguentar muito mais que muito homem por aí. E não, não falo da dor da depilação, fazer sobrancelha ou arrancar bife na hora de fazer a unha. Falo da dor psicológica de aguentar tudo que se vê por aí, o preconceito com tudo, a ditadura do poder-ou-não-fazer.
A Marcha das Vadias foi com certeza algo lindo, mas o entusiasmo com o significado dela durou apenas um dia.
Por isso, mulheres: saim por aí e A-R-R-A-S-E-M o que passar pela frente de vocês. Mostrem o que vocês tem de melhor: a sensibilidade que homem nenhum tem, a paciência (excluem-se aqui os períodos de chico) e, claro, a força!
Simplesmente façam isso: um brinde a ser mulher.